Essa eu gosto de contar...

Meu primeiro emprego é o que faço até hoje?

Por Samuel Cabral


Acredito que esse pequeno conto se inicia aos 14 anos, quando comecei a tocar violão, e hoje já muito afastado deste ponto sei que o fiz pela dificuldade de comunicação que sempre tive com as pessoas e com a matemática. 
Minha primeira recuperação em matemática foi na 4ªa série (hoje o 5º ano) e isso criou uma bola de neve que só viria me libertar quando terminei a escola.

Encontrei na música outras formas de diálogos, de linguagens... consegui ser quem eu era e ser aceito. Logo mais, aos 15, comecei a compor e arranjar. Tinha um grande laboratório para fazer isso na época, o primeiro Coral Espírita de Governador Valadares, que se não me engano, ainda está na ativa.

Lá meus tios por parte de pai (e até minha vó) encontravam amplo espaço para criação junto aos frequentadores de várias casas. Abarquei-me nessa empreitada na primeira oportunidade, e aos 16,  já começava a lecionar para pessoas mais novas e da minha idade, e nunca mais parei.

A música me libertara de ser um adolescente sem rumo, sem um "norte", e me ajudava a ter mais consciência da vida e da busca identitária de artista.






Aos 17 comecei a lecionar como professor substituto para integrantes do Coral Espírita, levando a música para um outro patamar profissional, e no final de 2008 tentei pela primeira vez o vestibular de música na UFMG, tentei o curso de bacharelado em violão. Passei para a segunda etapa, e me lembro que rolava um lance de raspar a cabeça, chegaram a rasparam a minha, mas não passei naquele ano. Lembro que a famigerada "segunda etapa" era redação, história, música teórica e pratica. Tive que vir a Belo Horizonte na época realizar as provas, e as fiz no Colégio Arnaldo e depois na FAE - Faculdade de Educação e na própria Escola de Música.




Mesmo não passando não deixei de estudar, era o meu maior sonho poder estudar numa "FEDERAL" não só pelo status, mas pela grana, que meus pais não tinham condição de pagar. Dentro deste pacote a expectativa de conviver com pessoas novas e poder finalmente deixar minha cidade natal na memória, onde guardo ainda com muito carinho.

Em 2009 fiz o famoso "cursinho" para tentar o curso novamente, e não passei novamente, mas disso retiro muitas lições. Dentre elas a de empreendedorismo.

Na época eu ainda lecionava e atuava no Coral, mas um fato que me chama a atenção é que fiz um disco com um aparelho MP3 PLAYER que comprei com o "primeiro salário" da vida, em 2008. Naquele tempo eu cobrava 50 reais o mês de aula, e o aparelho custava 100 reais redondos. Tive que dar dois meses de aula para um certo aluno (que era o único que me pagava) para poder retirar este aparelho da loja.

As gravações do pequeno Samuel tocando você confere neste vídeo abaixo, onde utilizo para inspirar alunos mais novos, e a mim mesmo, pois, mesmo a tantas adversidades, persisti. E isso vale mais que dois, três meses, anos de aula... é uma lição onde vemos que o caminho é o importante, e não a chegada.

Este é meu "primeiro" disco. Informal, sem tratamento, sem equipamento, sem violão direito, sem nada. Na época eu gravei num pequeno aparelho de MP3 como esse abaixo...
...e distribui para algumas pessoas.Num planeta onde o ipod já reinava soberano, eu fiquei com muita vergonha de mostrar para as pessoas. Entre uma música e outra percebe-se o som que o clique do botão de gravar fazia e como sua forma cilíndrica o deixava bambo depois de solta-lo sobre uma mesa, uma cadeira, a superfície que fosse, para me gravar.

Nunca tive retorno das pessoas que eu enviei os discos, mas hoje guardo na série RETROSPECTIVA do canal esta história/fato com muto carinho!
Enjoy!

Bachianinha nº1 - Paulinho Nogueira
Choro nº1 - Villa Lobos
Dengoso - João Pernambuco
Flamenco Leggato - John Tesh
Dr Sabe Tudo - Dilermando Reis





Confiram outros vídeos da retrospectiva dessa jornada no nosso canal, e inscreva-se!

Amo críticas e sugestões! 
Se sentir a vontade, deixe um comentário para nos ajudar a construir este veículo juntos. 
Até muito breve! 













Comentários