O músico e o tempo
O músico transcende a condição comum, tornando-se um ser grandioso no domínio do tempo. Enquanto muitas profissões lidam com suas matérias-primas de forma exploratória, os verdadeiros artesãos, aqueles que esculpem suas ideias manipulando elementos nem sempre tangíveis, destacam-se pela maestria com que realizam suas obras.
O músico, em sua essência, é o artesão do ar e do tempo. Suas tintas são as notas musicais, e sua tela é o próprio ar que o circunda. O tempo, por sua vez, emerge como o capital primordial, o recurso mais valioso em sua jornada criativa.
Nem todo músico possui o tempo a seu favor, mas é inegável que o tempo é o senhor de todos os músicos. Enquanto os grandes bancos acumulam riquezas extraídas do tempo de seus clientes, o músico detém algo ainda mais profundo: o tempo que antecede e sucede sua própria existência.
Quando nos é concedido esse tempo, como o utilizamos? Em geral, vivemos. E a vida, em sua essência, está intrinsecamente ligada ao ato de olhar para dentro de si, de escutar os ecos que ressoam no íntimo do ser. Esses ecos, por vezes, manifestam-se em frequências enigmáticas, ocupando espaços plenos e vazios de nossa consciência e inconsciência.
Como músicos, somos atores que manipulam matérias-primas das quais todos os seres estão envoltos. Diante disso, é natural que se espere uma responsabilidade ainda maior no uso dessas ferramentas. Atuar nessa condição que transcende o humano, que se projeta para além do ordinário, permite que nossas ideias ecoem e se perpetuem de maneira natural e atemporal.
Notícia boa da semana:
Disco novo do grupo 5 a seco: https://www.youtube.com/watch?v=5oR6dhmw_Vg&t=1099s

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